Domingo, Julho 05, 2009

Momento...

Sinto-me um sujeito-objecto animado por forças que me fazem percorrer as sendas de um mundo num movimento uniformemente acelerado. Procuro agarrar o tempo, mas este dissolve-se por entre os dedos das mãos. A sucessão de noites e dias prossegue o seu ritmo alucinantemente viciante. Concedo-me breves momentos de uma espécie de pausa na qual o toque indelével do vento que define o movimento mais puro das folhas recentra o meu centro de gravidade mais primacial.

RAM

Naïve...

It’s naïve for us to think that we can grow our nuclear stockpiles, the Russians continue to grow their nuclear stockpiles, and our allies grow their nuclear stockpiles, and that in that environment we’re going to be able to pressure countries like Iran and North Korea not to pursue nuclear weapons themselves

Barack Obama

Sexta-feira, Julho 03, 2009

Protege moi...



[Placebo - Protege Moi (Live)]

Terça-feira, Junho 30, 2009

Remains...

Picture and book remains,
An acre of green grass
For air and exercise,
Now strength of body goes;
Midnight, an old house
Where nothing stirs but a mouse.

My temptation is quiet.
Here' at life's end
Neither loose imagination,
Nor the mill of the mind
Consuming its rag and bone,
Can make the truth known.

Grant me an old man's frenzy,
Myself must I remake
Till I am Timon or Lear
Or that William Blake
Who beat upon the wall
Till truth obeyed his call;

A mind Michael Angelo knew
That can pierce the clouds,
Or inspired by frenzy
Shake the dead in their shrouds;
Forgotten else by mankind,
An old man's eagle mind.

WB Yeats

Segunda-feira, Junho 29, 2009

Silêncio...

havia uma vez as mãos do poema
seguravam os sonhos infantis
para que chegassem mais longe

davam vida por "veias incorruptas"
e se as chamavam de longe
chegavam como se tivessem estado
desde o princípio do mundo
na sombra iluminada do grito

havia essa força de remoto pai
um porto acima dos dias e
na mais impossível morte

se caíres pai caio também
partilhamos os verbos todos em silêncio


Pedro Sena-Lino

Quarta-feira, Junho 24, 2009

Infinito...

Cuando no puedo distinguir si estoy
con los ojos abiertos o cerrados,
y el mundo es jaspeado
como un abrigo de cheviot,
y una hilera de hormigas incoloras
me recorre la espalda
desde la rabadilla hasta la nuca,
y todo se amortigua,
siento cómo tus manos
me agarran los tobillos,
cómo tiran de mí, cómo me dejo
arrastrar suavemente a los pies de la cama,
cómo quiero llegar al final del trayecto
y cómo ese trayecto es infinito.

Amalia Bautista

Terça-feira, Junho 23, 2009

Cenários políticos outonais...

Eduardo Pitta publicou no Da Literatura uma antevisão de diversos cenários susceptíveis de emergirem das próximas eleições legislativas.
Ao texto em questão deu o título de "
Momento Zandinga".
Não me delongo em considerandos sobre a explanação das consequências práticas inerentes a cada um dos cenários. Julgo ser evidente a ironia/sarcasmo que presidiu à redacção do texto, embora, nalguns casos, o autor não esteja muito longe daquilo que será a realidade das coutadas partidárias e pessoais em momentos conjunturais muito definidos.
Acima de tudo, gostei do texto pela questão primacial lhe serve de leitmotiv e pela conclusão a que chega.
Devo confessar: preocupa-me viver neste país-Zandinga…


RAM

Domingo, Junho 21, 2009

Estio...

a lembrança de doces noites de estio e
a visão de um corpo desnudo sentado
sobre a alcova onde nos imolamos na

intimidade alva dos lençóis

mãos cruzadas sobre o ventre
os olhos baixos
a curvatura da cabeça
mimetizando o arco perfeito da anunciação

por entre dedos

correm finos fios ondulados
com que teço baias filigranas
cobrindo tua nuca

cachos caindo sobre suave dorso
cujos contornos busco em caricias
que revelam o toque singular

do teu ser


Rui Amaral Mendes (Na luz do crepúsculo)

Lamentável estupefacção...

Casa da Música.
20 de Junho de 2009

Concerto da Orquestra Nacional do Porto, dirigida pelo Maestro Christoph Köning.
Peças de Pyotr Tchaikovski, Dmitri Chostakovitch e Sergei Prokofieff.

A presença não era obrigatória.
Talvez por causa deste "pequeno pormenor", não pude deixar de ficar incomodado com os comentários cretinos de quem não se coíbe de partilhar a sua estupidez com as pessoas que se encontram no espaço periférico.

Embora Chostakovitch não seja um dos meus compositores de eleição, dispensava ouvir uma "distinta" senhora, vestida a preceito, que, sentada atrás de mim, durante o concerto n.º 1 para violoncelo e orquestra, op. 107, de Chostakovitch, prontamente manifestou a sua surpresa pelo facto de "existindo tantos instrumentos em palco, somente tocar o senhor do violoncelo".
Mais tarde, já após um curto intervalo, declarou: "Já só faltam 28 minutos!" (a duração aproximada de cada uma das partes constava do programa).
Pergunta: porque se deslocou esta ilustre dama à Casa da Música? Porquê?!
O casal a meu lado foi (ligeiramente) mais coerente: após Tchaikovski e Chostakovitch optou por não regressar à belíssima Sala Suggia.
Perderam Prokofieff.
São opções...



RAM




[Prokofieff - Romeo & Juliet (Berlin Philarmonic Live at S. Petersburg)]