Faz de mim guarda do teu espaço sem fim,
da pedra perscrutador faz de mim,
concede-me os olhos alargar
à solidão de teus mares sem par;
deixa-me o curso dos rios acompanhar
longe da gritaria de ambas as margens vagar
e no soar da noite fundo penetrar.
[...]
Rainer Maria Rilke
Sábado, Novembro 28, 2009
Sexta-feira, Novembro 27, 2009
Combination...
Left the Hospital late as usual. The last couple of weeks I've gotten used to being the last person leaving the department.
For the first time I felt the freezing air of Amsterdam.
The streets are quite and I'm walking down the street hearing "Driven like the snow".
A few days ago I found this interesting combination on YouTube: Sisters of Mercy and David Lynch's "Lost Highway".
This sure brings back some memories from past times.
RAM
[Sisters of Mercy - Driven like the snow]
For the first time I felt the freezing air of Amsterdam.
The streets are quite and I'm walking down the street hearing "Driven like the snow".
A few days ago I found this interesting combination on YouTube: Sisters of Mercy and David Lynch's "Lost Highway".
This sure brings back some memories from past times.
RAM
[Sisters of Mercy - Driven like the snow]
Sexta-feira, Novembro 20, 2009
Sabotagem...
Era preciso fazer um grande esforço para evitar a sabotagem da mente, sob a forma de um olhar faminto para o passado superabundante.
Philip Roth [Todo-o-Mundo]
Philip Roth [Todo-o-Mundo]
Quarta-feira, Novembro 18, 2009
Paradoxo...
Extingue os meus olhos: ainda te posso ver,
fecha-me os ouvidos: ainda te posso ouvir,
e sem pés ao teu encontro posso ir,
e até sem boca teu nome hei-de dizer.
Quebra-me os braços, posso abraçar-te
com o coração como se estendesse a mão,
pára-me o coração, o cérebro latejará,
e se ao meu cérebro deitares fogo então,
o meu sangue em mim te levará.
Rainer Maria Rilke
fecha-me os ouvidos: ainda te posso ouvir,
e sem pés ao teu encontro posso ir,
e até sem boca teu nome hei-de dizer.
Quebra-me os braços, posso abraçar-te
com o coração como se estendesse a mão,
pára-me o coração, o cérebro latejará,
e se ao meu cérebro deitares fogo então,
o meu sangue em mim te levará.
Rainer Maria Rilke
Segunda-feira, Novembro 16, 2009
Governo...
O primeiro EP do projecto Governo (valter hugo mãe, António Rafael e Miguel Pedro), intitulado «propaganda sentimental» já se encontra disponível na FNAC.
Quem preferir, pode efectuar o download gratuito dos mp3 no site http://www.optimusdiscos.com.
Este primeiro trabalho inclui 5 temas:
- propaganda setimental
- alguém no futuro
- meio bicho e fogo
- o nome de ninguém
- a inauguração do mundo.
A música é do António Rafael e do Miguel Pedro, as letras são do valter e as ilustrações da capa são da autoria de Esgar Acelerado.
RAM
[Governo - Meio bicho e fogo]
Quem preferir, pode efectuar o download gratuito dos mp3 no site http://www.optimusdiscos.com.
Este primeiro trabalho inclui 5 temas:
- propaganda setimental
- alguém no futuro
- meio bicho e fogo
- o nome de ninguém
- a inauguração do mundo.
A música é do António Rafael e do Miguel Pedro, as letras são do valter e as ilustrações da capa são da autoria de Esgar Acelerado.
RAM
[Governo - Meio bicho e fogo]
Domingo, Novembro 15, 2009
Origens...
"Quando o filho ou filha dá para o torto, procura primeiro a razão na família"
[...]
"Não procure a causa na família, mãe - procure-a naquilo que o mundo convencional considera inadmissível! Procure-a em mim, que era tão pateticamente convencional quando aqui cheguei que não fui capaz de confiar numa rapariga só porque ela me fez um broche"
Philip Roth [Indignação]
[...]
"Não procure a causa na família, mãe - procure-a naquilo que o mundo convencional considera inadmissível! Procure-a em mim, que era tão pateticamente convencional quando aqui cheguei que não fui capaz de confiar numa rapariga só porque ela me fez um broche"
Philip Roth [Indignação]
Quarta-feira, Novembro 11, 2009
Horizonte...
Sem direcção, sem caminho
escrevo esta página que não tem alma dentro.
Se conseguir chegar à substância de um muro
acenderei a lâmpada de pedra na montanha.
E sem apoio penetro nos interstícios fugidios
ou enuncio as simples reiterações da terra,
as palavras que se tornam calhaus na boca ou nos meus passos.
Tentarei construir a consistência num adágio
de sílabas silvestres, de ribeiros vibrantes.
E na substância entra a mão, o balbucio branco
de uma língua espessa, a madeira, as abelhas,
um organismo verde aberto sobre o mar,
as teclas do verão, as indústrias da água.
Eu sou agora o que a linguagem mostra
nas suas verdes estratégias, nas suas pontes
de música visual: o equilíbrio preenche os buracos
com arcos, colinas e com árvores.
Um alvor nasceu nas palavras e nos montes.
O impronunciável é o horizonte do que é dito.
António Ramos Rosa
escrevo esta página que não tem alma dentro.
Se conseguir chegar à substância de um muro
acenderei a lâmpada de pedra na montanha.
E sem apoio penetro nos interstícios fugidios
ou enuncio as simples reiterações da terra,
as palavras que se tornam calhaus na boca ou nos meus passos.
Tentarei construir a consistência num adágio
de sílabas silvestres, de ribeiros vibrantes.
E na substância entra a mão, o balbucio branco
de uma língua espessa, a madeira, as abelhas,
um organismo verde aberto sobre o mar,
as teclas do verão, as indústrias da água.
Eu sou agora o que a linguagem mostra
nas suas verdes estratégias, nas suas pontes
de música visual: o equilíbrio preenche os buracos
com arcos, colinas e com árvores.
Um alvor nasceu nas palavras e nos montes.
O impronunciável é o horizonte do que é dito.
António Ramos Rosa
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