domingo, Abril 20, 2014

Alleluia...

Depois da Vigília Pascal na companhia dos irmãos da Comunidade Franciscana da Capela de Nossa Senhora dos Anjos, hoje canto...

RAM


[Taizé - Laudate Dominum]



[Taizé - Surrexit Christus]

sábado, Abril 19, 2014

Paixão...

Grande parte da minha vida permaneci alienado daquilo que É, efectivamente, o Tríduo Pascal.
Na realidade, a natureza intelectual e epistemológica da condição prévia à minha conversão sempre me posicionaram na ultra-periferia da densidade profunda da Páscoa e da Inteligência da Fé.
Na realidade, o espaço que habitei - até uma idade adulta já razoável - nada mais era do que a cercania de um folclore religioso, de uma religiosidade sociológica não implicada: a que convive bem com os cristãos "não praticantes" ou ateísmos/agnostiscismos de moda.
"De moda"sim, porque há tanto de irracional no Fideísmo que perpassa e dilacera (certa) Igreja, como nas modas que se reclamam baseadas meramente nas evidências daquilo que é visível, tangível... uma certa percepção (redução?) telúrica da condição humana.
Devo ao desassombro de um homem, Leonel Oliveira, o meu (re?)encontro com Deus.
Na Capela de Fradelos, lugar descrito por ele como: "uma pequena capela no centro e nas encruzilhadas da vida da Cidade", encontrei o presbítero, o homem, que escreveu: "Passei a vida a juntar pedras, pedra-vivas bem entendido. Escrevi montanhas de folhas que nunca coleccionei, pois sempre as quis espalhadas ao vento. Fiz milhares de reuniões, de casa em casa, de rua em rua, pastoral de rua. Construí barracos, muitos barracos, tendas de reunião. Duma só coisa quis saber entre eles, os homens meus irmãos: de Jesus Cristo".
Com ele encontrei a Palavra que me permite uma leitura cristocêntrica dos Sinais do Tempo e uma (tentativa de) vida implicada.
E se hoje escrevo isto, faço-o não tanto como reconhecimento pela grande dádiva que me concedeu, mas como reflexão de uma noite em que somos chamados não apenas a relembrar a Paixão de Cristo, mas a projectarmos o sentido escatológico da Cruz nas nossas próprias vidas.
Esta foi uma noite de reencontro comigo.
Esta é uma noite que me dilacera como homem, como cristão. 
Na morte de Jesus sou chamado a rever, reler, a minha própria morte diária. 
Esta noite rumei, novamente, a Fradelos e reencontrei o Zé Rui: companheiro de outros tempos, com quem tive o grato prazer de partilhar tantas coisas - gostos musicais, literários, Santiago, o Centro Catecumenal da Igreja do Porto - até ao momento em que vaidades e orgulhos - por mim falo - nos afastaram.
Assim é: esta é uma noite que me dilacera como homem, como cristão. 
Esta é uma noite de reencontro comigo.
Na Homilia, o Zé Rui, disse:
"Hoje fazemos memória da cruz, não como um adorno que produz uma certa complacência com a dor, com o sofrimento ou com a morte, mas como uma marca, um sinal (em sentido sacramental) da nossa condição, da nossa continência, do modo evanescente como vivemos... e morremos; porque somos de viver e somos de morrer.
Hoje fazemos memória da cruz, não como um instrumento de tortura ou uma bandeira contra os nossos inimigos, mas como o símbolo desadornado do homem despido daquilo que nos veste, desalojado daquilo que nos aloja, desprotegido daquilo que nos protege; o HOMEM, tal e qual, ele mesmo, ecce homo, filho do Homem, o filho de Deus na Cruz."
Saibamos viver à altura dessa Memória.

RAM

sexta-feira, Abril 18, 2014

Amor...

Revelação da alma que é o corpo,
fonte da vida e do sofrimento,
imortalizador corpo do Homem,
carne a tornar-se ante os olhos ideia,
corpo de Deus, o evangelho eterno:
milagre é este do pincel mostrando-nos
o Homem que morreu para remir-nos
da morte fatídica do homem;
a Humanidade eterna em frente aos olhos
apresenta-nos. Olhos também de carne,
de sangue e sofrimento são, de vida!
Este é o Deus que se vê; é o Homem;
este é o Deus cujo corpo prendem
nossos olhos, as mãos do espírito.
É necessário crer no teu destino,
miolo da História, que a ciência
do amor ilumina; nossas mentes,
como em forja, em tuas entranhas se fizeram
e o universo por teus olhos vemos.
Sacode o chão em que me firmo e enche
minhas funduras com teu divino sopro,
para que, com isenção, sinceramente, 
diga teus ditos com minha voz mais alta.
Minha língua queima, e como chama ardente
cante com melodias de asas de anjos
a lição que em tua carne, livro vivo,
se nos ensina. Deixa-me este lenho
comer com fome, depois de minha boca
o mel destile destile da tão doce mancha
desse teu lado. Brotem do recôndito
de minha entranha, rios de água viva, 
estes meus versos e que corram tanto
quanto eu viver e seja para sempre!
[...]

Miguel de Unamuno


[Lisa Gerrard - Redemption]

quinta-feira, Abril 17, 2014

Ceia...

Hoje, dia em que regressei à bela Capela de Fradelos - lugar de tantas epifanias e conversões - para celebrar a Ceia do Senhor, mergulhei, novamente, na densidade profunda de 2 gestos que estão - ou assim tento - na base da minha condição implicada de Católico: 

- O lavar dos pés;
- O por a mesa. 

Não compreender a densidade teológica destes 2 gestos simples ou remetê-los a um mero ritual litúrgico ou, pior, folclore litúrgico, é nada compreender daquilo que se passou na noite em que Jesus partiu o pão e tomou o vinho com os seus companheiros. 

É não compreender o que significa a fraternidade e a comunhão. 

RAM


[Daniel Faria - Tornei-me peso (por Carminho)]

Cantique...

[...]
"La courbe de tes flancs est comme un collier,
oeuvre des mains d'un artiste.
Ton nombril forme une coupe,
que les vins n'y manquent pas!
Ton ventre, un monceau de froment,
de lis environné.
Tes deux seins ressemblent à deux faons,
jumeaux d'une gazelle.
Ton cou, une tour d'ivoire.
Tes yeux, les piscines de Heshbôn,
près de la porte de Bat-Rabbim.
Ton nez, la tour du Liban,
sentinelle tournée vers Damas.
Ton chef se dresse, semblable au Carmel,
et ses nattes sont comme la pourpre;
un roi est pris à tes boucles"
[...]

Le Cantique des Cantiques

terça-feira, Abril 15, 2014

segunda-feira, Abril 14, 2014

In transit...

The world seems so palpable
And dense: people and things
And the landscapes
They inhabit or move through.

Words, on the other hand,
Are so abstract - they’re
Made of empty air
Or black scratches on a page
That urge us to utter
Certain sounds.

And us:
Poised in the middle, aware
Of the objects out there
Waiting patiently to be named,
As if the right words
Could save them.

And don’t
They deserve it?
So much hidden inside each one,
Such a longing
To become the beloved.

And inside us: the sounds
That could extend that blessing -
How they crowd our mouths,
How they press up against
Our lips, which are such
A narrow exit for a joy so desperate.


Gregory Orr

domingo, Abril 13, 2014

Palm...

When fishes flew and forests walked 
And figs grew upon thorn, 
Some moment when the moon was blood 
Then surely I was born; 

With monstrous head and sickening cry 
And ears like errant wings, 
The devil’s walking parody 
On all four-footed things. 

The tattered outlaw of the earth, 
Of ancient crooked will; 
Starve, scourge, deride me: 
I am dumb, I keep my secret still. 

Fools! For I also had my hour; 
One far fierce hour and sweet: 
There was a shout about my ears, 
And palms before my feet.


GK Chesterton