terça-feira, Outubro 21, 2014

Católico...

EU SOU CATÓLICO E QUERO DEFENDER O DIREITO Á FELICIDADE! 

À custa do Miguel Vale de Almeida ainda vou ser excomungado. 
Embora a semana passada me tivesse "insurgido" contra a posição dele relativamente ao Sínodo, o modo como o fiz não se enquadrava, propriamente, na cartilha do João César das Neves, com quem, em comum, só tenho uma coisa: o local de trabalho. 
Esta semana, contudo, leio a notícia do i sobre uns casais católicos que querem defender o casamento e sou levado a secundar o seu grito: "Why, oh why?" 

Querem defender o casamento? De quê??? De quem??? Está a ser atacado??? 

Confesso: não percebo a falta de capacidade de "encaixe" de certa malta, para quem o "seu mundo" só parece fazer/ter sentido se nada mais houver para além dele. 

Penso: Eu gosto do azul. O que me interessa a mim que outro alguém, pequena maioria ou imensa minoria - sempre gostei do mote da velha XFM - (tanto se me dá!), goste de amarelo, de fúcsia ou de outra cor diferente?! Parabéns à prima! Aquilo que eu penso do azul adquire um valor especial não por traduzir a realidade que conheço e/ou a única que aceito, mas porque, vivendo, dia a dia, com um arco-íris a meu lado, acordo, e continuo a curtir o "meu" azul. 

É verdade que "não frequento regularmente os Sacramentos". 
O Baptismo só o "frequentei" quando tinha 1 ano e fi-lo ao colo de minha mãe. 
O Crisma demorei 30 anos a "frequentar", e só o fiz depois de ter devorado Nietzsche e Sartre (os quais continuo a reler e a citar). 
A Extrema Unção espero não "frequentar" tão cedo e a "Ordem", além de canonicamente me estar vedada, bem... não se "revela adequada" à minha pessoa. 
Os meus lapsos são conhecidos de Deus... e de 1 ou 2 amigos. 
A Eucaristia também não "frequento", pela simples razão de que o sentido comunitário da celebração da Palavra não é passível de ser "frequentado", numa qualquer perfeita composição de álbuns de bons "Católicos sociológicos". A Eucaristia bebe o seu significado primacial no Agápe, no sentido comunitário de "por a mesa"... e é para ser VIVIDA, não frequentada. 
Para último: o Matrimónio. Pois... sou divorciado e, antes de casar, vivi em união de facto. Foram quase 9 anos em que pensei ser feliz, não fora o facto de companheira de caminho subscrever, e bem - reconheço-o hoje - as palavras de representante do género em "Assim Falava Zaratustra": "Disse-me uma vez uma mulher: É certo que quebrei o casamento, mas antes disso já me quebrara a mim o meu casamento." 

Terei eu passado ao lado de todos os Sacramentos? 
Serei, também eu, um dos inimigos dos casamento?! 

Para quando o fim da pretensiosa superioridade moral e dos juízos que a acompanham? 

Assumo: não tenho vocação para fotos de circunstância. O que faço, faço por paixão, de forma implicada. 
Procuro ser coerente, sendo certo que a minha coerência em nada perde "vis-à-vis" com a diferença.

RAM

domingo, Outubro 19, 2014

Riddle...


[Patrick Doyle - Kissing in the Rain]

Request...

My river runs to thee: 
Blue sea, wilt welcome me? 

My river waits reply. 
Oh sea, look graciously! 

I’ll fetch thee brooks
From spotted nooks, - 

Say, sea, 
Take me!


Emily Dickinson 

Estações...

"Quero permanecer nesta tempestade e não perder nenhum frémito desta comoção. Quero ter Outono. Quero recobrir-me de Inverno sem me atraiçoar pela menor cor. Quero cobrir-me de neve, preparando-me para a Primavera que há-de vir, de tal modo que aquilo quer germina em mim, não cresça demasiado depressa fora dos sulcos."


Rainer Maria Rilke (sobre Lou Andreas-Salomé no seu Diário de Worpswede)



sexta-feira, Outubro 17, 2014

Rasto...

Escavo o rasto dos teus passos:
o mundo
derrama-se
na cavidade que fica,

volto a amar-te
no limite febril de mim mesmo,

tu folheias, agora terra fina,
os meus remotos
testemunhos.


Paul Celan

quinta-feira, Outubro 16, 2014

Talvez...

Esgotamos os desacordos
em livros pequenos: lermos
juntos substitui a cama e as
conversas. Talvez este amor

estivesse escrito e, por isso,
ao virar da página, haja
sempre uma mão do outro lado,
quente, apertada na nossa.


Maria do Rosário Pedreira

quarta-feira, Outubro 15, 2014

Pedido...

Hoje podes deitar-te na minha cama 
e contar-me mentiras - dizer, não sei, 
que o amor tem a forma da minha mão 
ou que os meus beijos são perguntas que 
não queres que ninguém te faça senão 

eu; que as flores bordadas na dobra do 
meu lençol são de jardins perfeitos que 
antes só existiam nos teus sonhos; e que 
na curva dos meus braços as horas são 
mais pequenas do que uma voz que no 

escuro se apagasse. Hoje podes rasgar 
cidades no mapa do meu corpo e 
inventar que descobriste um continente 
novo - uma pátria solar onde gostavas 
de morrer e ter nascido. Eu não me 

importo com nada do que me digas esta 
noite: amo-te, e amar-te é reconhecer o 
pólen excessivo das corolas, o seu vermelho 
impossível. Mas amanhã, antes de partires, 

não digas nada, não me beijes nas costas 
do meu sono. Leva-me contigo para sempre 
ou deixa-me dormir - eu não quero ser 
apenas um nome deitado entre outros nomes.


Maria do Rosário Pedreira

terça-feira, Outubro 14, 2014

Sínodo...

http://www.nytimes.com/2014/10/14/world/europe/vatican-signals-more-tolerance-toward-gays-and-remarriage.html?emc=edit_th_20141014&nl=todaysheadlines&nlid=31111378

Sinceramente, não percebo as reacções de malta como o Miguel Vale Almeida relativamente a esta posição da Igreja institucional reunida em Sínodo. 

É a desejável? Talvez não. 
Podia ir mais longe? Talvez sim. Talvez vá.
É uma evolução? Atrevo-me a dizer: sem dúvida. 

Tivesse o Sínodo mantido a mesma vetusta posição e certamente ouviria: “É sempre a mesma coisa. Já se estava à espera: o Vaticano continua conservador. Francisco=João Paulo II. Ratzinger vive! etc., etc., etc.
Optaram os bispos por manifestar uma opinião de (alguma) abertura: “É sempre a mesma coisa. Sempre a meterem-se na cama da malta. Não precisamos da piedade da Igreja. O Vaticano que faça o que bem entende e saia mas é do quarto da malta. Olhem mas é para os pedófilos, etc., etc., etc.” 

[Como se, infelizmente, a maioria dos casos de pedofilia não ocorresse num “lugar” muito mais “sagrado": no interior DA FAMÍLIA] 

Se há malta - quiçá uma imensa minoria - que se está a borrifar para as religiões - nada contra - há uma maioria - por enquanto! sociologicamente a decrescer, mas ainda uma maioria; os que permanecem, porventura mais coerentes - que vive o sentido primacialmente comunitário da Fé e para quem a impossibilidade de viver, pacifica e simultaneamente, a SUA Fé e a SUA Sexualidade é interiormente dilaceradora. 

Enquanto Católico creio a (não NA) Igreja como um espaço de comunhão plena. 
Desejá-la “inclusiva” seria definir de forma pleonástica aquela que creio ser a sua Missão. 

Enquanto Cidadão defendo uma sociedade não discriminatória, que não distinga as pessoas em função de sexo, idade, ideologia, religião ou opções de vida (em matéria de afectos ou outras). 

É este um Vaticano II revisitado? Não creio!, mas criticar a capacidade da Igreja recuperar o “Aggionarmento” do bom João XXIII e sacudir o pó que o cobria, é, claramente, uma desonestidade intelectual de quem quer fechar os olhos aos Sinais do Tempo.


RAM

segunda-feira, Outubro 13, 2014

Rain...

[...]
Let it all rain down, 
from the blood stained clouds. 
Come out, come out, to the sea 
my love... 
and just, 
drown with me...
[...]



[Daughter - Shallows (Live @ Air Studios)]