sexta-feira, Outubro 31, 2014

Verdade...

Mas, meu amigo, desde sempre foi preciso conquistar as mulheres excepcionais através de dificuldades.


Gonzalo Torrente Ballester in Don Juan

quinta-feira, Outubro 30, 2014

Vida...

A vida é o dia de hoje 
A vida é ai que mal soa. 
A vida é sombra que foge, 
A vida é nuvem que voa; 
A vida é sonho tão leve 
Que se desfaz como a neve 
E como o fumo se esvai: 
A vida dura um momento, 
Mais leve que o pensamento, 
A vida leva-a o vento, 
A vida é folha que cai! 
A vida é flor na corrente, 
A vida é sopro suave, 
A vida é estrela cadente, 
Voa mais leve que a ave; 
Nuvem que o vento nos ares, 
Onda que o vento nos mares, 
Uma após outra lançou 
A vida-pena caída 
Da asa de ave ferida- 
De vale em vale impelida 
A vida o vento a levou! 


João de Deus

quarta-feira, Outubro 29, 2014

Madrugadas...

A segurança destas paralelas 
- a beira da varanda e o horizonte; 
assim me pacifico, e é por elas 
que subo lentamente cada monte. 

O tempo arrefecido, e só soprado 
por uma brisa tarda que do mar 
torna este minuto leve aconchegado 
traz mansas as certezas de se estar. 

E vêm novos nomes: são as fadas, 
gigantes e anões, que são assim 
alegres de o serem - parcos nadas 

que enchendo de silêncios este sim 
dele fazem brinquedos, madrugadas… 
Agora eu estou em ti e tu em mim. 


Pedro Tamen

segunda-feira, Outubro 27, 2014

.....


[Tiago Bettencourt - O Jogo]

Toque...

E nisso haver. E nisso persistir. 
Pensar perder-me em nada diluído 
pela bola de neve que me desses 
instantânea mas branca. Conseguir 
amores de bruma e de estampido 
num espaço que não sei e onde teces 
a tua tempestade. 

Correr a mão 
pelo corpo que tens em tempos quedos, 
deixá-la ir pelos agostos fartos 
pelas horas de ceifas e de verão. 
Deixar que a tua pele me guie os dedos 
para chegar aos olhos e fechar-tos. 


Pedro Tamen

domingo, Outubro 26, 2014

Autumn...

Through all the weary, hot midsummer time, 
My heart has struggled with its awful grief. 
And I have waited for these autumn days, 
Thinking the cooling winds would bring relief. 
For I remembered how I loved them once, 
When all my life was full of melody. 
And I have looked and longed for their return, 
Nor thought but they would seem the same, to me. 

The fiery summer burned itself away, 
And from the hills, the golden autumn time 
Looks down and smiles. The fields are tinged with brown -
The birds are talking of another clime. 
The forest trees are dyed in gorgeous hues, 
And weary ones have sought an earthy tomb. 
But still the pain tugs fiercely at my heart -
And still my life is wrapped in awful gloom. 

The winds I thought would cool my fevered brow, 
Are bleak, and dreary; and they bear no balm. 
The sounds I thought would soothe my throbbing brain, 
Are grating discords; and they can not calm 
This inward tempest. Still it rages on. 
My soul is tost upon a troubled sea, 
I find no pleasure in the olden joys -
The autumn is not as it used to be. 

I hear the children shouting at their play! 
Their hearts are happy, and they know not pain. 
To them the day brings sunlight, and no shade. 
And yet I would not be a child again. 
For surely as the night succeeds the day, 
So surely will their mirth turn into tears. 
And I would not return to happy hours, 
If I must live again these weary years. 

I would walk on, and leave it all behind: 
will walk on; and when my feet grow sore, 
The boatman waits - his sails are all unfurled -
He waits to row me to a fairer shore. 
My tired limbs shall rest on beds of down, 
My tears shall all be wiped by Jesus’ hand; 
My soul shall know the peace it long hath sought -
A peace too wonderful to understand. 


Ella Wheeler Wilcox

Hang...

Another great project.
This time the highlights are not the voices or the lyrics but rather the musical instrument used to create this unusual sound.


RAM



[Hang Massive - Released upon Inception]

Olhar...

A curva dos teus olhos dá a volta ao meu peito
É uma dança de roda e de doçura.
Berço nocturno e auréola do tempo,
Se já não sei tudo o que vivi
É que os teus olhos não me viram sempre.

Folhas do dia e musgos do orvalho,
Hastes de brisas, sorrisos de perfume,
Asas de luz cobrindo o mundo inteiro,
Barcos de céu e barcos do mar,
Caçadores dos sons e nascentes das cores.

Perfume esparso de um manancial de auroras
Abandonado sobre a palha dos astros,
Como o dia depende da inocência
O mundo inteiro depende dos teus olhos
E todo o meu sangue corre no teu olhar.


Paul Eluard

sábado, Outubro 25, 2014

Magia...

e ele dizia-me, se tu 
fores um poema de amor 
eu apaixono-me por ti, e 
eu desaparecia boca 
fora para dentro dele 


valter hugo mãe

sexta-feira, Outubro 24, 2014

Peregrinação...

[...] É apenas à tua alma, bem-amada, que quero dirigir-me em peregrinação, profunda, profunda, chegando ela se torna templo. E lá erguerei a minha nostalgia como uma custódia no teu esplendor. 
[...]

Rainer Maria Rilke a Lou Andreas-Salomé