Participei hoje na celebração da Ceia do Senhor, na bela Capela de Fradelos.
Para os catecúmenos, em particular, esta celebração encerra o sentido profundo de mais um dos gestos que simbolizam e revestem este início de vida em-Cristo e na-Igreja, num itinerário já longo, que culminará na Vigília Pascal, projectando-se no tempo que há-de vir.
Invoco nos passos de cada um o sentido primacial do caminho que também eu percorri: repenso a profundidade do Mistério e questiono se tendo assumido a condição e o desafio de um homem a caminho, alguma vez serei diáfano à densidade da Luz:
Às vezes rezo
sou um cego e vejo
as palavras o reunir
das sombras
às vezes nada digo
estendo as mãos como uma concha
puro sinal da alma
a porta
queria que batesses
tomasses um por um os meus refúgios
estes dedos
inquietos na ignorância
do fogo
pois que tempo abrigará
os anjos
e que dia erguerá todo o sol
que há nas dunas
por isso
às vezes chove quando rezo
Às vezes quase neva
sobre o pão
José Tolentino Mendonça
RAM
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1 comentários:
Feliz Páscoa, Rui!
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