Hagamos una torre de minutos,
apilemos los ratos que hemos podido vernos,
hablarnos, sonreírnos, hacernos el amor, acariciarnos
hasta el fondo del alma.
Vamos a amontonar con cuidado infinito,
para que no se caigan,
esos segundos de alegría limpia
que nos dieron la paz y las lágrimas dulces.
Construyamos un frágil rascacielos
que centellee al sol y resista las lluvias.
La torre alcanzará las nubes.
Pero nunca alzaremos a su lado otra torre
con todos los minutos que no estuvimos juntos,
con los días perdidos más allá de los mares
y las noches pasadas abrazando otros cuerpos.
Sería insoportable contemplar esa torre.
Daría varias veces la vuelta al universo.
Amalia Bautista
Domingo, Maio 17, 2009
Quinta-feira, Maio 14, 2009
Na tua ausência...
frio...
patominas estáticas de mimo
em corpo frio e rígido, desprovido
do sangue que dá vida, agora imóvel
em livores discretamente
dispersos pela matéria
que enformou o teu ser
longo sono decretado por morfeu
que tentou despojar-me de ti
intento todavia negado por
rede intrincada de memórias
vivas e para sempre
presentes na minha mente,
onde percorro a intemporal teia
longa e diligentemente
tecida por aracne
e re-vivo cada um dos momentos
que te confirmaram como
um homem aos meus olhos
anuindo a permanência de quem foste
na plenitude das conformações que
compreendem a dimensão incorpórea do ser.
Rui Amaral Mendes [Pleroma]
patominas estáticas de mimo
em corpo frio e rígido, desprovido
do sangue que dá vida, agora imóvel
em livores discretamente
dispersos pela matéria
que enformou o teu ser
longo sono decretado por morfeu
que tentou despojar-me de ti
intento todavia negado por
rede intrincada de memórias
vivas e para sempre
presentes na minha mente,
onde percorro a intemporal teia
longa e diligentemente
tecida por aracne
e re-vivo cada um dos momentos
que te confirmaram como
um homem aos meus olhos
anuindo a permanência de quem foste
na plenitude das conformações que
compreendem a dimensão incorpórea do ser.
Rui Amaral Mendes [Pleroma]
Domingo, Maio 10, 2009
Conselho...
Não te apagues totalmente - como outros fizeram
antes de ti, antes de mim,
a casa, depois da chuva e flores em botão,
depois do
abraço,
expande-se sobre nós,
enquanto a pedra
cria raízes,
um candelabro, grande e solitário,
emerge também,
reconhece,
quando a taça, toda de pórfiro,
estala, como
tudo está cheio de coisas
ocultas, inevitáveis,
fica a saber
onde estão agora os olhos abertos,
de manhã, ao meio-dia, à tarde, à noite.
Paul Celan
antes de ti, antes de mim,
a casa, depois da chuva e flores em botão,
depois do
abraço,
expande-se sobre nós,
enquanto a pedra
cria raízes,
um candelabro, grande e solitário,
emerge também,
reconhece,
quando a taça, toda de pórfiro,
estala, como
tudo está cheio de coisas
ocultas, inevitáveis,
fica a saber
onde estão agora os olhos abertos,
de manhã, ao meio-dia, à tarde, à noite.
Paul Celan
Sexta-feira, Maio 08, 2009
Shine! Shine!
Oh now, hold your hand on running water
and now, wipe the black out of the blonde
Well now your head falls down on me
And your beauty is as pure as tears.
[...]
[Madrugada - Shine]
and now, wipe the black out of the blonde
Well now your head falls down on me
And your beauty is as pure as tears.
[...]
[Madrugada - Shine]
Quarta-feira, Maio 06, 2009
Do fundo...
A veces tengo sueños como mares:
me golpean sus olas, me hacen daño,
dejan un gusto a sal bajo mi lengua,
enredan mis cabellos y me ahogan.
Y, cuando llego al fondo, me repugnan
los seres que lo habitan y lo ensucian,
seres escurridizos y viscosos,
sin párpados y sin extremidades,
sin lenguaje, sin lágrimas, sin ruido.
A veces tengo sueños como mares
y, cuando me despierto de uno de ellos,
sé que he sobrevivido a otro naufragio.
Amalia Bautista
me golpean sus olas, me hacen daño,
dejan un gusto a sal bajo mi lengua,
enredan mis cabellos y me ahogan.
Y, cuando llego al fondo, me repugnan
los seres que lo habitan y lo ensucian,
seres escurridizos y viscosos,
sin párpados y sin extremidades,
sin lenguaje, sin lágrimas, sin ruido.
A veces tengo sueños como mares
y, cuando me despierto de uno de ellos,
sé que he sobrevivido a otro naufragio.
Amalia Bautista
Segunda-feira, Maio 04, 2009
Homens do leme...
O PS presenteou-nos com o Magalhães.
O PSD quer presentear-nos com o Vasco da Gama.
Em tempos de invocação dos grandes navegadores, para quando um Bartolomeu Dias que faça Portugal dobrar o Cabo das Tormentas?
RAM
O PSD quer presentear-nos com o Vasco da Gama.
Em tempos de invocação dos grandes navegadores, para quando um Bartolomeu Dias que faça Portugal dobrar o Cabo das Tormentas?
RAM
Domingo, Maio 03, 2009
Desde a primeira estrela...
[...]
Quem lá encontraremos, pela certa, são aquelas mulheres envolvidas na sombra dos seus lutos, como se a terra lhes tivesse morrido e para todo o sempre se quedassem orfãs. Não as veremos apenas em Barrancos ou em Castro Laboreiro, elas estão em toda a parte onde nasça o sol: em Cória ou Catânia, em Mistras ou Santa Clara del Cobre, em Varchats ou Beni Mellal, porque elas são as Mães. O olhar esperto ou sonolento, o corpo feito um espeto ou mal podendo com as carnes, elas são as Mães. A tua; a minha, se não tivera morrido tão cedo, sem tempo para que o rosto viesse a ser lavrado pelo vento.
Provavelmente estão aí desde a primeira estrela. E como duram! Feitas de urze ressequida, parecem imortais. Se o não forem, são pelo menos incorruptíveis, como se participassem da natureza do fogo.
Com mãos friáveis teceram a rede dos nossos sonhos, alimentaram-nos com a luz coada pela obscuridade dos seus lenços.
[...]
Elas são as Mães, essas mulheres que Goethe pensa estarem fora do tempo e do espaço, anteriores ao Céu e ao Inferno, assim velhas, terrosas, os olhos perdidos e vazios, ou vivos como brasas assopradas.
[...]
Elas são as Mães, ignorantes da morte mas certas da sua ressurreição.
Eugénio de Andrade
Quem lá encontraremos, pela certa, são aquelas mulheres envolvidas na sombra dos seus lutos, como se a terra lhes tivesse morrido e para todo o sempre se quedassem orfãs. Não as veremos apenas em Barrancos ou em Castro Laboreiro, elas estão em toda a parte onde nasça o sol: em Cória ou Catânia, em Mistras ou Santa Clara del Cobre, em Varchats ou Beni Mellal, porque elas são as Mães. O olhar esperto ou sonolento, o corpo feito um espeto ou mal podendo com as carnes, elas são as Mães. A tua; a minha, se não tivera morrido tão cedo, sem tempo para que o rosto viesse a ser lavrado pelo vento.
Provavelmente estão aí desde a primeira estrela. E como duram! Feitas de urze ressequida, parecem imortais. Se o não forem, são pelo menos incorruptíveis, como se participassem da natureza do fogo.
Com mãos friáveis teceram a rede dos nossos sonhos, alimentaram-nos com a luz coada pela obscuridade dos seus lenços.
[...]
Elas são as Mães, essas mulheres que Goethe pensa estarem fora do tempo e do espaço, anteriores ao Céu e ao Inferno, assim velhas, terrosas, os olhos perdidos e vazios, ou vivos como brasas assopradas.
[...]
Elas são as Mães, ignorantes da morte mas certas da sua ressurreição.
Eugénio de Andrade
Sexta-feira, Maio 01, 2009
Um pedaço de pão...
Tristes tempos estes, em que alguns invertaram a verdade da lógica poética.
RAM
"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão".
[...]
Sophia de Mello Breyner Andresen
RAM
"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão".
[...]
Sophia de Mello Breyner Andresen
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